terça-feira, 1 de abril de 2025

Padre Ibiapina é declarado venerável pelo Papa Francisco


O Papa Francisco aprovou, nesta segunda-feira (31), o decreto que reconhece o Padre José Antônio Maria Ibiapina como venerável, marco significativo no processo de beatificação do sacerdote cearense que deixou um legado de caridade no Nordeste brasileiro. Em 1860, em Gravatá do Ibiapina, distrito de Taquaritinga do Norte (PE), ele fundou sua primeira Casa de Caridade, iniciativa pioneira voltada ao acolhimento, educação e assistência de moças órfãs e carentes, que se tornaria o embrião de uma rede de 22 instituições semelhantes espalhadas por Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Nascido em Sobral (CE), em 5 de agosto de 1806, Padre Ibiapina trilhou uma vida singular antes de se dedicar integralmente à Igreja. Após abandonar o seminário de Olinda em 1823, em decorrência da morte de sua mãe, formou-se em Direito e exerceu cargos como juiz, delegado e deputado, destacando-se como presidente da Comissão de Justiça Criminal no Parlamento Nacional, em 1834. Desiludido com as limitações do sistema judiciário, renunciou à carreira pública e, em 1850, retomou sua vocação religiosa. Ordenado sacerdote em 1853, passou a servir os mais pobres, sendo conhecido como “peregrino da caridade” durante a epidemia de cólera que assolou o Nordeste.

Em Gravatá do Ibiapina, sua atuação foi além da fundação da Casa de Caridade. Ele mobilizou a comunidade local para a construção de uma capela, um açude e um cemitério, obras que até hoje simbolizam seu compromisso com o bem-estar coletivo. A trajetória de Padre Ibiapina, marcada por uma fé inabalável e serviço aos desfavorecidos, foi interrompida em 1875, quando uma paralisia o acometeu. Ele faleceu em 19 de fevereiro de 1883, aos 76 anos, deixando um exemplo de vida que agora é oficialmente reconhecido pela Igreja Católica.

O título de venerável, concedido pelo Vaticano, atesta as virtudes heroicas de Padre Ibiapina e abre caminho para a próxima etapa rumo à beatificação, que depende da comprovação de um milagre atribuído à sua intercessão. No Nordeste, onde seu trabalho ecoa há mais de um século, a notícia foi recebida com celebração e renovada devoção.