sábado, 5 de abril de 2025

Coco de Quinta no Festival Azougue #AoVivoEemCores




Coco: A Tradição Cultural que Resiste no Nordeste

O coco, uma das manifestações mais autênticas da cultura popular nordestina, segue vivo e pulsante em estados como Pernambuco, Alagoas e Paraíba. Com raízes afro-indígenas e forte ligação com o cotidiano das comunidades, essa expressão artística combina música, dança e poesia oral.

Originário dos engenhos de açúcar da antiga Capitania de Pernambuco, o coco se desenvolveu ao longo dos séculos, incorporando elementos dos batuques africanos e dos bailados indígenas. Tradicionalmente apresentado em rodas, o ritmo é marcado pelo som vibrante dos instrumentos de percussão, como ganzá, surdo, pandeiro e triângulo, além das palmas ritmadas dos participantes.

A espontaneidade é uma das características mais marcantes do coco, já que suas letras costumam ser improvisadas e refletem temas como o cotidiano, a vida comunitária e a resistência cultural. Apesar de ter sido marginalizado por muito tempo, o ritmo se manteve vivo graças ao empenho de mestres coquistas e grupos tradicionais.

Ao longo dos anos, diferentes vertentes do coco surgiram, como o coco de roda, o coco de embolada e o coco de praia, cada um com particularidades próprias. Nomes consagrados da música brasileira, como Jackson do Pandeiro, Selma do Coco e Mestre Salustiano, desempenharam um papel fundamental na difusão do estilo, levando-o para além das fronteiras nordestinas.

Atualmente, festivais e encontros culturais dedicados ao coco ajudam a fortalecer essa tradição, atraindo novos públicos e incentivando as gerações mais jovens a se conectarem com suas raízes. Em Pernambuco, eventos como o Encontro de Coco de Olinda e apresentações em comunidades preservam o caráter vibrante dessa expressão artística.

O coco é mais do que um gênero musical – é um símbolo de identidade e resistência de um povo que, apesar das dificuldades, encontra na arte uma forma de celebrar a vida e reafirmar sua cultura.