Cavalo Marinho: tradição e resistência na cultura popular do Nordeste
O Cavalo Marinho, uma das manifestações folclóricas mais emblemáticas do Nordeste, segue encantando gerações com sua mistura singular de teatro, dança e música. Originário principalmente de Pernambuco e Paraíba, o folguedo se destaca por suas apresentações extensas, que podem durar até oito horas e envolvem improvisação, humor e interação direta com o público. Com instrumentos como rabeca, pandeiro e ganzá, os brincantes dão vida a personagens diversos, alternando entre figurinos e máscaras em uma narrativa que mescla o sagrado e o profano.
Entre os grandes nomes da preservação dessa tradição está Mestre Salustiano, reconhecido como um dos maiores defensores da cultura popular pernambucana. Tocador de rabeca desde a infância, ele foi responsável por manter vivo não apenas o Cavalo Marinho, mas também o maracatu rural e a ciranda. Fundador do maracatu Piaba de Ouro, Mestre Salustiano recebeu, em 2007, o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco e deixou um legado que hoje resiste na Casa da Rabeca, um espaço dedicado à preservação das tradições nordestinas.
Mesmo após sua partida, a influência de Mestre Salustiano segue presente na música e na arte popular do Brasil. Sua obra e dedicação à cultura reforçam a importância de preservar as expressões autênticas da identidade nordestina.