Com o fim da greve nas universidades federais decretado pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) neste domingo, a preocupação dos alunos e professores é com a reposição de aulas e o estabelecimento do novo calendário acadêmico. Algumas universidades admitem que o ano letivo será estendido até abril de 2013. Já na Federal do ABC, é possível que a normalização só ocorra em 2015.
Mesmo com o enfraquecimento do Comando Nacional de Greve, com a retomada das atividades nas universidades nas últimas semanas, o movimento alcançou nesta segunda-feira quatro meses de duração. A paralisação chegou a atingir 57 das 59 federais do País.
Na nota divulgada no domingo, o Andes informa que vai encaminhar a suspensão unificada da greve nacional às instituições de ensino durante esta semana. “Majoritariamente, as assembleias locais apontaram para uma suspensão do movimento grevista até a próxima sexta-feira”, afirma a presidente do Andes, Marinalva Oliveira.
Segundo a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a retomada das atividades nos câmpus deverá ser garantida por todas as universidades. Em nota, o MEC informa que o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, vai se encontrar nesta terça-feira com representantes dos reitores para definir a aplicação do novo calendário. A pasta vai fiscalizar a reposição das aulas.
Mesmo reiniciando as aulas nesta segunda, a Universidade Federal do ABC (UFABC) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) ainda não definiram o novo calendário. A UFABC terá uma posição definitiva no dia 26, enquanto o Conselho de Graduação da Unifesp se reunirá nesta quarta. “Vamos ter de estender essa reposição por cerca de dois, talvez três anos, porque não é possível repor mais de três meses de aula durante um único ano, não há folga suficiente”, diz o reitor da UFABC, Hélio Waldman.
A Universidade Federal de São Carlos, contudo, já estabeleceu que as atividades do segundo semestre se estenderão até o dia 9 de fevereiro do ano que vem.
Os alunos aproveitaram o período sem aulas para se dedicar a outras atividades. Raquel Domingues, de 19 anos, aluna de Engenharia Química da Unifesp, em Diadema, resolveu começar aulas de música e conseguiu terminar um curso de italiano. Para ela, a readaptação será difícil. “Provavelmente será muito sofrido, já que a gente já não se lembra de muita coisa do primeiro semestre”, diz.
Aluno de Ciência e Tecnologia da UFABC, Rafael Nydan, de 22 anos, aproveitou a greve para fazer aulas particulares de inglês. “Se for mantida uma greve por ano, só me formo em 2018”, comenta.
Segundo o projeto de lei encaminhado ao Congresso pelo Ministério do Planejamento em 31 de agosto, foi assegurado à categoria um aumento entre 25% e 40%, além da redução do número de níveis de carreira de 17 para 13.
“A greve foi um desastre para alunos e professores, pois paralisou o trabalho e interrompeu os cursos”, avalia o sociólogo Simon Schwartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets).
Estadão