domingo, 24 de maio de 2026
#SendoProsperidade com Mariângela Borba
🎤 Fábio Stella: Uma voz repleta de alma que abre o coração para o Blog Taís Paranhos
🎤 O encontro que deu vida a esta entrevista exclusiva começou no ambiente digital do Instagram, onde a reportagem localizou o cantor Fábio Stella. A ponte crucial para que este diálogo acontecesse foi estendida por Samir Solon, sobrinho e produtor do artista, que intermediou o contato com sensibilidade profissional. Para a jornalista, o momento carregou uma forte carga emocional, relembrando os tempos de infância em que ouvia a faixa "Até Parece que foi Sonho" em uma icônica coletânea em vinil da gravadora EMI-Odeon. Hoje, aquela menina consolidou-se como repórter frente a frente com o ídolo, que atualmente vive na Bahia ao lado da esposa, Popó Muniz, sua companheira de jornada há mais de 30 anos. “Um anjo que fez a diferença na minha vida”, afirma.
🎶 Paraguaio de Horqueta, uma
cidade de 69 mil habitantes, o músico nasceu Juan Senon Rolón em 9 de fevereiro
de 1946. O pequeno Juan, apelidado na família como Toto, cresceu imerso nas
polcas e guarañas regionais, sofrendo também forte influência da cultura
argentina. Na adolescência, integrou o Trio Los Mensú, um grupo lendário
dedicado ao folclore latino-americano, especialmente aos ritmos litorâneos e
guaranis. O nome homenageia os mensú, trabalhadores rurais dos ervais na
tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. O trio ganhou
notoriedade ao interpretar clássicos da cultura regional, com Fábio — já
conhecido como Juancito — assumindo a voz principal.
🎙️ Já em carreira solo,
Juancito participou do programa Alegria dos Bairros, da Rádio Record de
São Paulo. Paralelamente, iniciou sua trajetória cantando na noite paulistana,
consolidando sua presença artística. Sua marcante trajetória em terras
brasileiras teve início como compositor da melodia "Socorro Nosso Amor
Está Morrendo", que estourou na voz do ídolo Wanderley Cardoso.
Empolgado com o rumo dos acontecimentos, o jovem mudou-se definitivamente para
o Brasil em 1966.
⭐ A grande virada artística
ocorreu no ano seguinte, quando o polêmico produtor Carlos Imperial o convenceu
a adotar em definitivo o nome Fábio. E o que o convenceu de
vez foi um colega da noite paulistana cujo nome artístico era Fábio Marcelo, e Juancito gostava demais desse nome. Uma década depois, o Fábio Marcelo faria
muito sucesso já com seu nome: Herondy! Sim, o esposo da Jane e o casal até
hoje é conhecido pela canção “Não se Vá”. Em relação a como ser chamado, Fábio é
taxativo: “O Toto, o Juancito e o Fábio são a mesma pessoa”, conclui. Sem falar as alcunhas de "Fabiano" e "Paraguaio".
📢 Foi nessa mesma época
que o cantor conheceu Tim Maia, recém-chegado dos Estados Unidos, que lhe
apresentou as texturas e o balanço da soul music. Fascinado ao ouvir o
"Síndico" cantar "Wonderful World", de Sam Cooke,
Fábio afastou-se do iê-iê-iê e das baladinhas da Jovem Guarda, para criar,
junto a Imperial e à banda The Fevers, o compacto psicodélico "Lindo
Sonho Delirante" (LSD) em 1968, que trazia a faixa "Reloginho"
no lado B. Nessa época, ele já estava no Rio, morando na famosa pensão Solar da
Fossa, onde conheceu nomes como Caetano Veloso e Gal Costa – ainda conhecida
como Gracinha.
🕺 Em 1969, o artista
atingiu o topo absoluto das paradas nacionais com a balada romântica "Stella",
composta em parceria com Paulo Imperial e gravada nos estúdios Havaí, no Rio de
Janeiro com efeitos inovadores de eco criados pelo técnico Mazzola. Esse
domínio técnico abriu portas para que Fábio criasse as históricas vinhetas
plásticas da Rádio Globo do Rio de Janeiro, imortalizando o nome da emissora
precedido de um assovio, além dos tradicionais bordões dos grandes times de
futebol (inclusive os times pernambucanos) que ecoaram na programação por mais
de 40 anos. Mais tarde, na era Disco, o diretor Roberto Talma o impulsionou a
gravar "Venha", com letra de Paulo Sérgio Valle, estourando na
trilha da novela "Pecado Rasgado".
🎙️ Fábio lançou,
em março de 2007, o livro “Até Parece Que Foi Sonho - Meus 30 Anos de
Amizade e Trabalho com Tim Maia”, escrito em parceria com o escritor
baiano Achel Tinoco. Seu segundo livro é a biografia “As Aventuras
de Um Certo Capitão Blue”, também desenvolvida ao lado de Tinoco. A nova
obra já está pronta, consolidando mais uma colaboração entre os dois autores.
Neste momento, a dupla segue batalhando para viabilizar a publicação do livro e
levá-lo ao público. Trata-se de um projeto que dá continuidade à trajetória
literária de Fábio Stella e reforça sua conexão com a memória, a cultura e a
narrativa biográfica.
🏖️ Ao longo de seis
décadas de música, Fábio acumulou 23 discos gravados e prêmios de grande
relevância, dividindo os palcos e os bastidores com o irmão de vida Tim Maia.
No final dos anos 80, enfrentando severos problemas com o alcoolismo, o cantor
encontrou a salvação nos braços de Popó Muniz, filha do "Rei do
Cacau", Edício Muniz, e que recebeu muitas pessoas famosas em sua casa, na
Bahia, entre elas o Rei Pelé e músicos do Brasil e do Mundo. Ela o levou para o refúgio baiano da Pedra do
Sal, em Itapuã. Uma prova de que a boa música, o companheirismo e o amor
verdadeiro são para sempre. Hoje, aos 80 anos e celebrando a plenitude de sua saúde
física, mental e espiritual, o eterno paraguaio de alma brasileira
consolidou-se como um ícone cult da nossa música popular.
📢 E com bastante eco e
voz na alma.
📸 Fotos: Arquivo Pessoal
Você nasceu no Paraguai, em Horqueta, e veio muito jovem
para o Brasil. De que forma suas origens paraguaias influenciaram sua formação
musical e sua sensibilidade artística?
Sim, nasci no Paraguai. Em Horqueta, uma cidade ao norte
do Paraguai, uma pequena cidade, que na época tinha 50 mil habitantes (Nota
do Blog: atualmente, Horqueta tem 69 mil moradores). Claro, isso
influenciou muito. Porque o Paraguai é um país muito musical, né? Muito musical.
Folclore, né? Aquele folclore paraguaio. As guarañas, as
polcas, e nasci no meio daquilo, cara. A minha família grande, os meus pais... No meio disso tudo, minhas tias viviam cantando...
Tia Kimmy, Tia Tota... Lembro muito delas, cantando muito e eu estava sempre
com elas porque fui o primeiro filho da prole. Minha mãe teve sete filhos e eu
fui o primeiro.
Primeiro filho, menino, no Paraguai até hoje um filho
homem é muito cultuado. Enfim, fui muito mimado por minhas tias. Elas viviam
cantando e eu sempre atrás delas, que tinham revistinhas de músicas e a partir
disso, eu acho, fiquei muito ligado à música e isso foi muito importante para
minha formação musical.
Eu ouvia muito música folclórica através delas, e conheci artistas como Luiz Alberto del Paraná, Lúcio Batica, cantores da época, e que tinham muita influência da Argentina. Até hoje, essa região no Paraguai tem muita influência musical também dos lados de lá, da Argentina. Começou assim. Ponto.
Fábio conta de suas origens neste vídeo da TV Cultura e
do Trio Los Mensú, quando ainda era conhecido como Juancito
“Lindo Sonho Delirante” se tornou um clássico cult no Brasil e no exterior. Como você enxerga o impacto dessa gravação tantos anos depois?
Lindo Sonho Delirante... Pois é, eu não tive a mínima
ideia do que aconteceria com essa música, entendeu? Eu jamais imaginaria o que
aconteceria com ela. Até o dia que eu recebi um telefonema de Nova York de um
brasileiro que tem uma loja de vinil lá na Rua 42.
Naquela ocasião, alguns anos atrás, eu ainda estava pelo
Rio e recebo o telefonema e ouvi: “Eu tenho uma loja de vinil aqui em Nova York
na Rua 42. Acabou de sair daqui. Vendi o seu compacto ‘Lindo sonho delirante’.
Para aquele galã do Senhor dos Anéis, pagou mil dólares e saiu pulando de
alegria”. (Nota do Blog: o ator britânico Orlando Bloom – o galã da saga
O Senhor dos Anéis - admira a Música Popular Brasileira e já até participou de
rodas de samba no Rio de Janeiro)
A partir daí eu falei, nossa, que loucura! Aquilo marcou
muito para mim.
Outra história. Meu irmão já me dizia: “Olha, meu irmão, essa música ainda vai
lhe dar uma casa. É sério”. Eu não dei tanta importância quando eu gravei.
Estava mais preocupado em fazer parte... Em entrar na onda. Naquela época, a
Jovem Guarda estava no final e aí entrei com essa música, meio diferente. (Nota
do Blog: o grupo que o acompanhou na canção Lindo Sonho Delirante foi o
The Fevers)
A minha ideia era mais para o lado soul music, já na época. Só que o meu
produtor, Carlos Imperial, pendeu para essa onda de rock, mais para o lado
rock'n'roll, entendeu? E assim foi. Para mim, foi uma surpresa agradabilíssima. Ponto.
Você viveu a transição da Jovem Guarda para a psicodelia.
O que te motivou a experimentar aquele som tão ousado no fim dos anos 60?
Ah, eu vivi muito a transição da Jovem Guarda para a
psicodelia...
Quando, naquela ocasião, pela primeira vez, eu tinha
visto aquele jovem, com os cabelos encaracolados, uma imagem incrível,
fantástica, chamado Caetano Veloso, cantando, caminhando contra o vento, sem
lenço, sem documento. Eu achei incrível aquilo lá.
E, por uma coincidência, eu fui morar no mesmo lugar por
onde eles passaram, na época, no Rio de Janeiro, num lugar chamado Solar da
Fossa, onde hoje o Rio de Janeiro... onde fica hoje em dia o Riocentro, um
prédio enorme que tem hoje em dia, perto do antigo Canecão, na rua Lauro Müller
(Nota do Blog: O Solar da Fossa era uma pensão onde moraram nomes da MPB
e funcionou até 1971. O casarão foi demolido em 1972, e hoje o local abriga um
shopping center)
Então, eu fui morar naquele lugar. E por lá passaram os
baianos. Caetano, Gil, Gracinha. Eu cheguei a conhecer a Gracinha, ela ainda
não era a Gal Costa. Era a Gracinha. Ela ainda morava no Solar, quando eu
cheguei no Solar, lá pelos caminhados de 60, entendeu?
Pra mim foi uma mudança maravilhosa, incrível! Misturar
uma banda de rock, na época foi o Caetano cantando com aquela banda de rock dos
argentinos, não sei o nome... (Nota do Blog: A banda citada pelo Fábio é
os Beat Boys. Eles ficaram conhecidos por acompanhar Caetano na
apresentação da canção "Alegria, Alegria" no III Festival de Música
Popular Brasileira da TV Record em 1967).
Isso tudo foi maravilhoso, maravilhoso... E eu aí, né,
com o meu Lindo Sonho Delirante, e assim tudo aconteceu. Foi maravilhoso!
“Stella” é uma das suas músicas mais marcantes. Como essa
canção nasceu e o que ela representa na sua trajetória?
Stella...
Pois é, aí passou a onda do Lindo Sonho Delirante, que o
meu produtor Carlos Imperial achava que abordando esse lado, mexendo com essa
onda de psicodélica e citando esse... Essa droga até hoje que incomoda o mundo,
né? Se fosse hoje em dia, talvez eu não gravasse, porque era uma apologia ao
uso desse poderoso psicodélico. Eu não gravaria, entendeu? Mas ele achou que eu
mexendo com isso, as autoridades na época se incomodariam e mexeriam comigo,
né? Porque já na época os baianos já estavam o André preso, os baianos já
tinham sido deportados e tal. Só que eu passei batido, os milicos nem ligaram
pra mim, pra minha sorte, né?
(Nota do Blog: o Brasil estava na fase mais dura dos Governos Militares
- 1964-1985 - na época conhecida como “Anos de Chumbo”, entre o fim dos anos
1960 e início dos anos 1970, com censura prévia, prisões, desaparecimentos e
exílio de centenas de brasileiros e as pessoas citadas por Fábio são o cineasta
André Luiz Oliveira, que estava preso, além dos cantores Caetano Veloso e
Gilberto Gil, que foram presos e exilados, só voltando ao Brasil em 1972).
Pois bem, então aí eu fui gravar o meu segundo... no meu
contrato cabiam duas músicas, Lindo Sonho Delirante, que chegou a tocar pelas
rádios, eu cantei em vários lugares, vendeu 15 mil compactos naquela ocasião,
me lembro que eu recebi um valor sobre 15 mil compactos, fiquei todo feliz...
15 mil!
Aí o meu produtor Romeo Nunes, já falecido, era um
delegado de polícia que tinha medo de ladrão, me chama e fala assim:
"Fábio, você tem direito a gravar mais uma música. Você tem música
nova?"
"Tenho."
"Mostra aí."
Aí eu tinha feito essa canção inspirada num fim de um
romance que eu tive com uma jovem cantora na época, muito linda, chamada Marisa
Rossi, uma cantora maravilhosa da época, tá viva até hoje, graças a Deus.
E aí mostrei para ele, aliás, a canção era pra se chamar
Marisa mas o meu parceiro Paulo Imperial mudou para Stella porque ele falou
para mim: "Pô, Marisa te deu um pé na bunda, você vai fazer música pra
ela? Vamos fazer pra Stella!",
A Stella era uma moça dele, estudava na PUC no Rio de Janeiro, que era a moça
mais linda da sala, Stella. Eu só a vi uma vez num sinal de trânsito no Rio de
Janeiro, de relance assim, rapidamente, nunca mais eu a vi.
Aí “Stella em que estrela você se escondeu”... Fomos para
o Estúdio Havaí no Rio de Janeiro, de quatro canais, os arranjos foram feitos
pelo Maestro Paschoalzinho, gravamos lá a base, com a ajuda de um técnico
chamado Mazzola na época, muito esperto, e meu produtor falou assim: "Os
homens chegaram à lua", meu produtor Romeo Nunes falou assim: "Eu
quero um som espacial com eco e tal", não tinha câmara de eco na época
ainda. (Nota do Blog: a canção Stella foi gravada no ano de 1969, o
mesmo ano da chegada do homem à Lua)
Ele foi, fez uma firula lá, não sei como é que ele fez,
fez aquele efeito “Stella.. lá lá lá lá” e aí surgiu Stella com eco. Saiu em
poucas semanas. Aí eu virei sucesso nacional!
O sucesso é maravilhoso, né? Só que é efêmero, efêmero...
Foi daí que surgiram as famosas vinhetas com eco, da Rádio Globo?
Então, a Rádio Globo na época, meu produtor tinha exclusividade para a Rádio
Tamoio, que era a rádio que bombava no Rio de Janeiro na época. O diretor da
Rádio Globo, Mário Luiz, já falecido, muito vaidoso, falou assim: "Ah não
vou tocar essa música aqui na minha rádio, não!". Mas a Rádio Globo já
estava começando a mandar no Brasil. E aí fui lá falar com ele, falei:
"Poxa Mário", aí ele para não perder a pose, a vaidade né, falou
assim: "Então você vai gravar para mim aqui no estúdio da Rádio Globo, sua
voz com os quatro times da época com o Formiga, o técnico". Aí fui lá,
gravamos. "Aí vou liberar você para sua música entrar na programação da
Rádio Globo". Legal, fui lá gravei, a música entrou na Rádio Globo e aí
ganhou o Brasil inteiro e em poucas semanas eu estava entre os primeiros cinco
mais tocados e executados no Brasil!
porque aqui no Recife também tinha a Rádio Globo 580 KHz
No fim dos anos 70, você incorporou elementos da disco music. “Venha Logo” entrou na trilha da novela Pecado Rasgado. Como essa música chegou à TV e qual foi o impacto disso na sua carreira?
Sim, depois dessa fase, veio a fase Disco Music.
Eu tive uma fase meio... Fiquei meio paradão por ali e
tal...
Então meu amigo Roberto Talma, grande Talma, já falecido, foi diretor do
Fantástico por muitos anos, na Globo. Ele me chamou lá no escritório dele, no
Rio de Janeiro, e falou assim:
"O que houve? Tá paradão, cara, o que houve?"
“Ah, cara, tô meio...”
Caí um pouco, não sei... O sucesso traz esse lado, né?
Fiquei meio deprê, né? Emocionalmente fiquei meio baleado.
Aí ele falou: "Você tem música nova?"
Eu ainda tinha essa melodia: "Vai nascer... um amor eterno nesta
noite", mas não tinha letra ainda.
Mostrei a melodia pra ele. Ele era um cara musical, né?
Falou: "Pô, essa música é boa, cara."
Tava na onda John Travolta no mundo, o mundo tava John
Travolta, Saturday Night Fever e tal...
"Pô, como eu faço essa música?"
Então o Talma chamou Paulo Sérgio Valle, ele escreveu a letra e gravamos nessa
onda disco music, que o pessoal chamava de "bate-estaca" na época,
né? Era meio discriminada essa onda.
Aí eu gravo, a música sai, entra pra novela Pecado Rasgado e me traz de volta
pras paradas de sucesso, entendeu?
Aí, de novo, aquela onda toda: viagem de avião, hotéis, assédio, aquilo lá, que
eu já sabia de cor. Foi legal, foi legal... Até que uns caras aí ficaram...
Sabe como é que é no Brasil, né? O sucesso é pecado mortal, como dizia o grande
Tom Jobim.
Mas, agora eu não tô nem aí.
Sua amizade com Tim Maia atravessou décadas. Qual
lembrança musical mais forte você guarda dessa convivência?
Bom, já a história está aí, né?
Nós nos conhecemos lá, meados de 70, lá em São Paulo. Ele tinha ficado nos
Estados Unidos, passou para o Rio de Janeiro e acabou indo lá para São Paulo,
atrás do Roberto, do Erasmo, que estávamos no auge de sucesso.
E aí nos conhecemos lá. E aí surgiu essa amizade e acabou virando, né, nos chamaram para gravar. Ah, depois do “Venha”, né? Nos chamaram para gravar junto a música Até parece que foi sonho. O Fábio, o Tim Maia, a letra do Paulo Sérgio Valle, de novo, a música sai, bombou, né? Imediatamente já caiu na graça do povo, muito popular a música. Foi um grande êxito. Nós só perdemos para Não Chore Mais, do Gilberto Gil. Ele em primeiro lugar, nós fomos para segundo e assim foi a história.
O que mais ficou marcado para mim no final com ele foi o
seguinte. Quando já fui me despedir dele, isso aparece no filme. Fui me
despedir dele para ir embora para Bahia. Quando conheci minha companheira, Popó
Muniz, que me trouxe para a Bahia, no final dos anos 1980, fui me despedir
dele, sentei lá e falei que estava indo para a minha vida. Aí ele ficou muito
chateado. “Pô, você vai me abandonar, cara? Pessoa que eu gosto, sempre me
abandona” e por aí vai...
Mas eu tive que vir embora.
O que mais me chamou a atenção foi que, tempo depois,
quando ele já estava indo embora para outro planeta, encontrou uma mulher que
ficou com ele até o final. Perguntei a ela, vem cá, em algum momento o Tim
lembrou de mim? E ela falou pra mim: “Fábio, ele já estava todo entubado. Ele me chamou, abaixa aí, abaixa
aí. Falou pra mim, ‘precisamos ajudar o Fábio’.
Foi o que mais me tocou.
No filme “Tim Maia”, você foi interpretado pelo Cauã Reymond. Como foi ver sua história retratada no cinema?
A sabedoria do Cauã Reymond, eu achei interessante, né?
Claro que eu fiquei feliz, me senti honrado, né, ser interpretado por um ator
famoso. Imagina, naqueles tempos, ele já estava bombando no Brasil, até hoje é
conhecido, mas já em 2014 já era o auge dele. Todo mundo gostou muito, parabéns
pra nós!
Entre suas várias fases — psicodélica, soul, romântica, disco e rádio — qual
você acredita que ainda merece ser revisitada pelo público?
Agora eu me tornei cult, né? Interessante... Quando anos atrás o Carlos
Imperial me disse que ele era cult, eu não entendia muito. O que é que é cult?
Isso é cult? O que quer dizer que isso é cult? Mas hoje em dia eu entendo. Cult
é cultuado, né? É uma maravilha. Afinal de contas é um legado de 60 anos de história, né? Porque
o homem é a sua história. Como já dizia o saudoso, grande Leonel Brizola, "O homem é a sua história".
E é isso aí. Agora com meus 80, né? Agora estou aqui
curtindo esse lado do cult, com saúde física, espiritual e mental.
Não posso deixar de falar na minha companheira Popó
Muniz, que me trouxe para cá, para esses lugares maravilhosos, que é onde nós
moramos aqui na Pedra do Sal. Eu estava já no final dos anos 80. 88, por aí. Eu
estava numa situação delicada no Rio de Janeiro. Fazendo... Trabalhando pro Tim
Maia, entendeu? Ele estava nos Píncaros da Glória. Puxando o fio pra ele. E
numa ocasião a Popó me viu. Num show que eu fui com o Tim, pra dar uma força
pra ele, como eu sempre fazia. O microfone caiu. E não tinha ninguém pra pegar,
nenhum roadie pra botar o microfone no lugar. E eu fui me arrastando pelo chão
pra botar o microfone no lugar.
E ela assistiu aquela cena.
Quando acabou o show ela falou, “Fábio, você não pode
mais. Você é o Fábio, cara. Você não pode ficar puxando o fio pro Tim Maia
nessa altura do campeonato”.
Eu estava muito mal naquela época. Então ela me trouxe
pra Bahia... Ela falou, “vamos comigo pra Bahia. Você vai lá comigo. Eu tenho
uma casa lá. Na beira da praia”.
Enfim. Viemos pra cá. Falei, tá bom. Se eu gostar, eu
fico. Se não gostar, eu volto pro Rio. Ah, eu volto. “Eu pago a sua passagem,
você volta”.
Foi assim. No final dos anos 80 eu cheguei aqui. Estou
até hoje por aqui. Foi ela que me salvou daquela situação. E ela me deu essa
estrutura pra poder estar agora, graças a Deus, numa situação bem privilegiada,
graças a Deus. Graças à minha companheira de uma vida inteira, a Popó Muniz.
Conheci uma pessoa assim. Devo muito a ela. Não posso
jamais deixar de estar com ela, estou com ela há três décadas, entendeu? Você
sabe que paixão dura um ano no máximo, já o amor é para sempre. É isso aí.
No programa do Carlos Imperial, na TV Tupi, era um programa em homenagem
ao grupo A Patotinha (em primeira formação pelas minhas queridas
Mônica Toniolo, Márcia Jardim, Kátia Romão e Cecília Salazar, ainda crianças),
Fábio tenta cantar a música Venha, mas as meninas do auditório correm
pra agarrar e beijar o Fábio. Imperial precisou chamar os comerciais...
Vejam a confusão:
🪗 O Caminho do Forró: Flávio Leandro Roda o Nordeste com Agenda Intensa e Equipe Afiada
📀 Voz que atravessa gerações: Fábio Stella celebra seis décadas de música em São Paulo 🎶
🎭 O Encontro da Arte com a Emoção: Beth Goulart recebe Ex-BBB Tia Milena


