domingo, 9 de agosto de 2026
🪘 Ritmos que cruzam oceanos: o Baque Virado chega a Barcelona com Alexandre Garnizé
📀 A Aura da Quebrada Ascende: Jamal, Criador do Passinho do Jamal, Celebra 1 Milhão de Seguidores
🪗 🌙 Noite de Xamego Promete Agitar o Recife com Forró e Tradição
#SendoProsperidade com Mariângela Borba
A nova Torre de Babel e o preconceito contra o que não compreendemos
Por Mariângela Borba
Os textos, às vezes, começam muito antes da primeira frase.
Começam num áudio atravessado por risadas, numa noite inesperadamente bem dormida ou numa missa em que a homilia parece responder silenciosamente às perguntas que carregamos há dias.
Esta semana vivi essas três experiências. E, olhando agora com mais calma, percebo que todas falavam da mesma coisa: a dificuldade humana de escutar aquilo que não compreendemos imediatamente.
Tudo começou com um áudio de um amigo querido. Daquele jeito rude, afetuoso e absolutamente sincero que só algumas amizades conseguem sustentar sem cerimônia.
Ele confessou que tinha demorado a ler um artigo meu. Contou do corre-corre da vida, dos livros, das providências, da cabeça de velho — “que só serve pra separar as orelhas”, como ele mesmo disse. E então veio a frase que me fez parar para ouvir de verdade:
“Comecei a discordar… talvez meu machismo, né?”
Não havia pose de perfeição. Não havia preocupação em parecer moderno, desconstruído ou intelectualmente correto. Havia apenas um homem pensando em voz alta, reconhecendo o próprio desconforto diante de um tema que mexia com suas referências.
Ri quando ele reclamou dos filósofos e os definiu como “malucos que falavam sobre a vida inteiramente ao contrário”. Mas, passada a gargalhada, percebi algo precioso: ele continuou lendo.
Poderia ter abandonado o texto na primeira estranheza. Poderia ter me encaixado em algum rótulo conveniente — feminista demais, intelectual demais, complicada demais. Não fez isso. Permaneceu na conversa. E terminou reconhecendo que a comunicação valia a pena, mesmo atravessada pela divergência.
No dia seguinte, vivi outra experiência aparentemente sem relação com a primeira.
Fiz uma sessão de ventosaterapia após a aula de Pilates, por causa de um desconforto na coluna.
Não pretendo transformar uma experiência pessoal em tratado científico. Mas também não consigo ignorar um fato simples: após o Pilates, a ventosaterapia e as sessões de fisioterapia dos dias anteriores, dormi oito horas seguidas sem acordar de madrugada, algo que não acontecia havia bastante tempo.
E olha que preferi não recorrer a relaxantes musculares — não por desacreditar na medicina alopática, mas por optar, naquele momento, evitar possíveis efeitos colaterais.
Para quem repousa bem todas as noites, isso pode soar banal. Para alguém que há meses convivia com despertares sucessivos, tensão muscular, cansaço acumulado e a sensação de nunca concluir verdadeiramente o descanso, acordando cansada, não foi banal.
E foi justamente aí que os dois episódios se encontraram dentro de mim.
Percebi como somos rápidos em desqualificar aquilo que não cabe imediatamente em nossos esquemas mentais. Seja um texto que desafia nossas convicções, seja uma prática de cuidado sobre a qual sabemos pouco, a reação costuma ser instantânea:
“Placebo.”
“Bobagem.”
“Coisa de intelectual.”
“Exagero.”
“Mimimi.”
“Charlatanismo.”
Talvez exista uma arrogância silenciosa na necessidade de concluir tudo depressa.
E então veio a missa de hoje.
O padre Sérgio Absalão na homilia falou sobre a Sabedoria de Amenemope, sobre o alerta do Papa Leão XIV a respeito de uma humanidade que estaria construindo uma nova Torre de Babel, e terminou lembrando a oração de Pedro:
“Senhor, salva-me!”
Enquanto eu o ouvia, algo começou a fazer sentido.
A antiga sabedoria egípcia aconselhava prudência, humildade, escuta atenta e domínio da própria arrogância. O Papa falava de um mundo hiperconectado que já não consegue verdadeiramente se compreender. E Pedro, afundando nas águas, reconhecia aquilo que nossa cultura frequentemente tenta negar: o ser humano não é autossuficiente.
Foi impossível não pensar em mamãe.
Os ensinamentos de Amenemope me lembraram imediatamente aqueles conselhos simples que só entendemos plenamente depois de adultos: ouvir antes de responder, não humilhar ninguém, desconfiar das certezas excessivas, lembrar que cada pessoa carrega dores invisíveis.
Talvez toda grande sabedoria sobreviva porque um dia foi dita por alguém que nos amava.
E foi nesse ponto que compreendi o verdadeiro tema deste texto.
A nova Torre de Babel não é feita apenas de tecnologia, algoritmos ou redes sociais. Ela também é construída quando transformamos diferenças em trincheiras permanentes; quando reduzimos pessoas a rótulos políticos — direita, esquerda, Lula, Bolsonaro —; quando uma divergência vale mais do que uma história de vida; quando preferimos vencer discussões a preservar a humanidade do outro.
Vivemos cercados de vozes, opiniões e diagnósticos instantâneos, mas cada vez mais pobres em escuta verdadeira.
Jung dizia que a experiência humana é maior do que os compartimentos em que tentamos organizá-la. Muitas vezes somos transformados por algo antes mesmo de conseguirmos explicá-lo plenamente.
Lacan, por sua vez, lembrava que o sujeito nunca é totalmente transparente para si mesmo. Talvez por isso resistamos tanto ao que nos desloca: uma ideia, uma pessoa, uma fé, uma terapia, uma dor ou uma alegria que não conseguimos explicar completamente.
O problema do nosso tempo talvez não seja a existência de diferenças.
O problema é a incapacidade de permanecer humanos diante delas.
Não precisamos aceitar tudo sem senso crítico. Questionar é saudável. Investigar é necessário. Mas existe uma diferença profunda entre examinar algo com honestidade e descartá-lo por puro preconceito contra aquilo que ainda não compreendemos.
Hoje penso que tanto o áudio do meu amigo quanto minha noite de sono inesperadamente tranquila me ensinaram a mesma lição: há experiências que merecem, antes de qualquer julgamento, um pouco mais de escuta.
Escutar o outro.
Escutar o corpo.
Escutar a própria resistência.
Escutar aquilo que Deus talvez esteja tentando dizer através de caminhos que
não escolheríamos espontaneamente.
Num mundo que fala cada vez mais alto e compreende cada vez menos, prosperar pode ser um gesto surpreendentemente simples:
trocar a pressa de julgar pela coragem de escutar.
E talvez seja justamente essa coragem — humilde, imperfeita e profundamente humana — que ainda possa nos salvar da Babel que nós mesmos estamos construindo.
Mariângela Borba é jornalista (DRT-PE 4095), especialista em Cultura Pernambucana, produtora cultural, estudante de psicanálise e pesquisadora da palavra como território de poder. É autora da coluna #SendoProsperidade 🌻
sábado, 8 de agosto de 2026
🤝 Solidariedade em ritmo de esperança para Maestro China
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sexta-feira, 7 de agosto de 2026
📣 Acolhimento no Parque: ação especial do TEAMANHÃ celebra Dia dos Pais com inclusão e cuidado
🎸 Ritmos que movem a cidade: a força do jazz e do blues no Recife em expansão, segundo Giovanni Papaléo e Jackson Rocha Jr.
🎷 A construção de uma cena sólida de jazz e blues em Recife passa, antes de tudo, por uma gestão cultural estratégica e comprometida. A visão de gestão cultural como ferramenta de desenvolvimento econômico, turístico e identitário tem guiado iniciativas que transformam a cidade em referência nacional. Exemplos internacionais mostram que políticas bem estruturadas geram projeção global, fortalecem a economia criativa e consolidam destinos culturais. É essa lógica que inspira os produtores Jackson Rocha Jr. e Giovanni Papaléo na missão de ampliar o alcance dos ritmos que moldam a alma recifense.
🎺 A parceria entre Giovanni Papaléo e Jackson Rocha Jr. se destaca pela complementaridade de visões e pela experiência acumulada em projetos desafiadores. Unidos por uma relação de amizade e profissionalismo, eles aplicam uma abordagem holística que integra cultura, entretenimento, turismo e gestão. Essa combinação tem sido essencial para o êxito de iniciativas que hoje influenciam toda a cadeia musical pernambucana, fortalecendo artistas locais e ampliando o alcance dos festivais.
🎼 A visão empresarial de Jackson Rocha Jr. orienta o planejamento dos projetos com foco em resultados concretos para a cidade. O Festival de Jazz do Recife, por exemplo, alcançou destaque nacional já em sua terceira edição, figurando entre os principais festivais do país. A estratégia envolve pensar cultura como vetor de desenvolvimento, ampliando percepção de valor, atraindo turistas e estimulando a economia criativa. Cada ação é desenhada para gerar impacto duradouro e fortalecer a identidade musical da região.
🎤 Os planos de expansão seguem ambiciosos: levar o jazz e o blues para todo o estado, incluindo Sertão e Agreste, com ações distribuídas de forma estratégica ao longo do calendário cultural. A intenção é descentralizar a cena, criar novas oportunidades para artistas e ampliar o alcance dos festivais já consolidados. A dupla acredita que Pernambuco tem potencial para se tornar referência nacional e internacional nesses gêneros, e trabalha para que essa visão se concretize nos próximos anos.
🎸 Giovanni Papaléo, por sua vez, destaca a evolução da cena a partir do surgimento de novos festivais inspirados nos pioneiros Garanhuns Jazz Fest, Gravatá Jazz, RioMar Jazz Fest e o Festival de Jazz do Recife. Para ele, a multiplicação de eventos fortalece toda a cadeia musical, gera oportunidades e estimula o surgimento de novos projetos. A Uptown Blues Band, que completa 30 anos em 2027, segue como peça-chave nesse movimento, trazendo artistas internacionais e nacionais para tocar com músicos locais, elevando o nível técnico e artístico da cena pernambucana.
📸 Fotos: Reprodução Instagram
SERVIÇOFestivais e projetos de jazz e blues em Pernambuco
Produção: Uptown Blues Band / Jackson Rocha Jr. / Giovanni Papaléo
Programação anual: Sertão, Agreste e Região Metropolitana
Informações: redes sociais oficiais dos festivais
Como você enxerga o papel da gestão cultural na construção de uma cena forte de jazz e blues em Recife? “A gestão de uma cidade, ou estado, é de fundamental importância para construção de uma cena cultural forte, sobretudo de jazz e de blues, em qualquer lugar do mundo, haja visto os grandes exemplos que acontecem na Europa e EUA, pois é a partir do entendimento e da aplicação de uma gestão bem feita que se alcança resultados como projeção turística de um local/região, incremento na economia e identidade de um povo, trazendo benefícios a médio longo prazo de solidez em destino turístico e percepção de valor em um cenário nacional e internacional de um determinado local/região.”
Como você descreveria sua parceria com Giovanni Papaléo e o que cada um traz de único para os projetos? “Giovanni, além de um amigo, é um produtor experiente com quem tive o privilégio de aprender muito ao longo da minha vida, dividindo projetos desafiadores em cenários muitas vezes desfavoráveis, mas que juntos temos obtido êxito em tudo que temos realizado até agora, acredito eu que, acima de tudo, em função do compromisso e da seriedade com que temos conduzido nossos projetos, além da aplicação de uma visão complementar e holística sobre cultura, entretenimento, gestão e turismo.”
De que forma sua visão empresarial influencia a forma como os projetos musicais são planejados e executados? “Nós sempre pensamos como podemos contribuir da melhor forma para a gestão alcançar os melhores resultados possíveis de projeção turística, cultura, percepção de valor e desenvolvimento econômico. A exemplo disso nós temos o Festival de Jazz do Recife, que alcançou o ranking de um dos principais festivais de jazz do Brasil em sua terceira edição em 2026, em pesquisa no Google.”
Quais são os planos de expansão para os projetos de jazz e blues que você e Papaléo estão desenvolvendo? “Além de expandir os projetos que já estão consolidados, esperamos ampliar nossas ações para atingirmos todo o estado, desde o Sertão (Vale do São Francisco), como ampliar a participação no Agreste em datas diferentes e estrategicamente planejadas.”
Entrevista - Giovanni PapaléoComo você enxerga a evolução da cena de jazz e blues em Recife desde que começou a atuar como produtor e músico? “Hoje em dia, com os festivais que estão acontecendo em Pernambuco, isso fortaleceu muito a cena. Tem muita coisa ainda para ser feita, mas depois do sucesso do Garanhuns Jazz Fest, do Gravatar, Rio Mar Jazz Fest, agora o Festival de Recife, outros produtores começaram também, se inspiraram e começaram a criar outros festivais. Isso é uma coisa muito positiva, porque gera mais oportunidades para outros artistas com outros projetos.”
O que torna uma jam session realmente especial para você, e como você escolhe os músicos que participam? “Uma jam session, o próprio nome já está dizendo jam, você juntar pessoas, às vezes de estilos diferentes, pessoas até que nunca ensaiaram, às vezes, e possivelmente em alguns momentos nem se conheciam, para fazer um som espontâneo, vindo do coração, sem ensaio, sem nada premeritado.”
Qual o papel da Uptown Blues Band na sua trajetória e no fortalecimento do blues em Pernambuco? “O papel da Uptown Band foi forjar essa cena de blues aqui em Pernambuco e fortalecer a cena de jazz, porque não tinha cena de blues antes da Uptown, tinha uma cena de jazz. Então a gente, com esses festivais que a banda criou, que ela faz a curadoria de todos esses eventos, gravatar jazz, garanhuns jazz, rio mar e vários outros eventos, A gente consegue trazer grandes músicos do exterior, do sul do país, que são referências, para tocar aqui e tocar junto com os pernambucanos. Isso agrega muito qualidade e faz com que os pernambucanos evoluam nos seus instrumentos, conhecendo grandes referências, que antigamente eles só conheciam através de disco ou em vídeos.”
Como você define a curadoria musical dos seus projetos e o que considera essencial para manter a qualidade artística? “O fundamental é você fazer algo que equilibre a qualidade musical e, ao mesmo tempo, também desperte o interesse do público em comparecer aos eventos. Eu acho muito importante você ter esse equilíbrio de uma coisa que seja artisticamente de valor, mas também que sirva como entretenimento e não seja algo muito hermético. Veio um Tico Santa Cruz do Detonautas cantando blues com a gente. Então ele vai pro show pra conhecer um cantor muito famoso de rock, mas de repente ele vai estar lá tocando blues com a gente. Então, através de um nome conhecido, mais do grande público, a gente consegue divulgar o jazz e o blues.”
Quais são seus planos para expandir ainda mais o jazz e o blues na cidade nos próximos anos? “Os nossos planos, expandir ainda mais nossos projetos. Eu e meu sócio Jackson Rocha Jr. já estamos planejando 2027 e uma notícia muito legal é que próximo ano a Uptown Blues Band faz 30 anos de pioneirismo. A gente já tem planos para tocar em outros estados, estamos gravando músicas novas e acredito que o próximo ano será muito promissor.”



