terça-feira, 30 de junho de 2026
📘 Enem mais cedo: treineiros transformam a preparação escolar em nova tendência nacional
👁️ Córnea em foco: Junho Violeta reforça alerta para o ceratocone e a importância do diagnóstico precoce
🎭 Cineteatro Paulo Freire: coração cultural que se recusa a calar
🏛️ Recentemente, o local se tornou palco de manifestações de diversos companheiros e companheiras que se uniram em frente ao teatro para questionar a paralisação das obras de reforma. O ato público ecoou vozes em defesa da memória coletiva, criticando duramente a falta de transparência na aplicação dos recursos e a ausência de um cronograma claro para a execução dos serviços. O movimento destaca a urgência de preservar um bem de tamanha relevância afetiva.
📜 A comunidade cultural ressalta que um patrimônio não precisa seguir um estilo arquitetônico definido para ser tombado, uma vez que o foco principal é sua importância histórica para a sociedade. Diante da rejeição anterior do pedido de tombamento pela Fundarpe, classificada como um erro gritante pelo IHGAAP, a instituição promete reiterar o pedido. A disputa jurídica em torno do espaço já envolveu embargos junto ao Ministério Público e desdobramentos no TJPE.
📢 Estiveram presentes no ato nomes como Nivaldo Sousa, Ricardo, Fernando, Léo, Daniele e a poetisa Bernadete, que se somaram ao clamor popular para dar visibilidade ao caso, inclusive com cobertura da imprensa. A mobilização reforça que a luta pelo Cineteatro Paulo Freire vai além de uma simples estrutura física; trata-se de defender o direito à memória, à cultura e ao sentimento de pertencimento de todo o povo de Paulista.
📸 Foto: Reprodução
Serviço
O quê: Mobilização em defesa do patrimônio cultural do Cineteatro Paulo Freire.
Onde: Paulista, Região Metropolitana do Recife.
Realização: Artistas paulistenses, Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico, Antropológico do Paulista (IHGAAP) e comunidade local.
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🎨 Centenário de Alexina Crêspo movimenta a Fundaj com cinema, literatura e memória
🇧🇷🇧🇩 Bangladesh vibra pelo Brasil: a paixão que atravessa oceanos
🎭 O Grito das Coxias: Artistas de Paulista Lutam pela Reativação do Histórico Teatro Paulo Freire
🏛️ Inaugurado em 28 de maio de 1944 como Cine-Teatro Municipal, o tradicional espaço cultural localizado no Centro de Paulista recebeu o nome de Teatro Paulo Freire em 1997, após uma sugestão da própria Diretoria de Cultura da época. Hoje, o local que já foi palco de grandes espetáculos e celebrações artísticas encontra-se com as obras paralisadas, gerando grande mobilização da classe artística local. Os profissionais da cultura cobram com urgência a revitalização estrutural e a imediata devolução desse patrimônio histórico e afetivo para a população paulistense.
📢 A grande controvérsia gira em torno da recusa do tombamento do imóvel pela Fundarpe anos atrás, sob a justificativa de ausência de um estilo arquitetônico definido. Contudo, defensores do patrimônio e o Instituto Histórico, Geográfico, Arqueológico e Antropológico do Paulista (IHGAAP) contestam firmemente a decisão, ressaltando que o valor cultural e a memória coletiva superam qualquer padrão estético. A entidade chegou a conseguir um embargo judicial temporário junto ao Ministério Público, mas a liminar foi posteriormente revertida, resultando no atual cenário de abandono.
✊ Diante do impasse que se arrasta no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), os artistas locais seguem promovendo audiências públicas e manifestações construtivas para salvar o espaço. A categoria reforça que o teatro pertence ao povo e que a identidade cultural da região metropolitana do Recife não pode ser silenciada por entraves burocráticos. A luta agora é para que novas vistorias técnicas comprovem a relevância arqueológica e afetiva do prédio, garantindo que o cineteatro volte a ser um polo ativo de transformação social.
Informações de Serviço
Espaço Cultural: Cine-Teatro Paulo Freire (Antigo Cine-Teatro Municipal).
Localização: Centro de Paulista, Região Metropolitana do Recife – PE.
Fundação: 28 de maio de 1944.
Pauta Principal: Reivindicação popular e artística pela reconstrução, tombamento histórico e reativação das atividades Culturais.
segunda-feira, 29 de junho de 2026
🇧🇷⚽️ Bastidores que Movem a Copa: O Caminho do Voluntariado em 2027
✍️ Ritmo Latino: Fabian Latino Agita o Verão na Romênia
🎤 O cantor Fabian Latino, conhecido por liderar orquestras de sucesso no Peru, está pronto para dar um novo e empolgante passo em sua carreira internacional. Após uma temporada em Madrid, o artista agora segue rumo à Romênia para comandar a aguardada temporada de verão europeu. O anúncio promete movimentar o cenário musical do balneário de Eforie Nord, trazendo o calor da música latina diretamente para o público que frequenta as badaladas praias do Mar Negro nesta época do ano.
🏖️ A grande base dessa festa caribenha em solo romeno será o prestigiado restaurante e terraço Caredy, localizado na Faleza Eforie Nord. O local se transformará no ponto de encontro oficial para os amantes da boa música, que poderão desfrutar de apresentações vibrantes em um ambiente sofisticado e à beira-mar. O projeto foi desenhado para oferecer uma experiência cultural completa, unindo a gastronomia local à energia contagiante dos ritmos que dominam as pistas de dança em todo o mundo.
🕺 Para garantir que a temporada seja inesquecível, Fabian Latino dividirá o palco com grandes talentos convidados, incluindo Tito Mesa e o carismático Yurman. A programação artística promete um repertório diversificado e dinâmico, totalmente voltado para colocar todo mundo para dançar. Juntos, os músicos prometem criar uma atmosfera única de celebração, unindo diferentes vertentes e estilos que representam a riqueza e a alegria contagiante da identidade cultural e musical da América Latina.
🎶 O repertório do projeto Show Yurman y To foi cuidadosamente selecionado com foco na autêntica música tropical, com destaque para ritmos envolventes como a salsa e a bachata. As apresentações acontecerão diariamente, intensificando-se durante os fins de semana para animar tanto os turistas quanto os moradores locais. Toda a temporada conta com o patrocínio especial do evento El Tonazo de Yurman, garantindo uma estrutura de alta qualidade para que o público aproveite o melhor do verão.
📸 Foto: Divulgação
Serviço
Evento: Show Yurman y To com Fabian Latino, Tito Mesa e Yurman
Período: De 30 de junho a 02 de setembro
Local: Restaurante e Terraço Caredy – Faleza Eforie Nord, Romênia
Atrações: Música tropical ao vivo, Salsa e Bachata
Programação: Apresentações diárias e aos finais de semana
Patrocínio: El Tonazo de Yurman
👑 O Brilho do Protagonismo Feminino: Roseana Faneco é Confirmada no Evento 40+ com Alessandra Pires
🌀 CINESCADA ilumina Escada com um novo olhar para o cinema independente
🎪 Circo da Trindade celebra 22 anos reafirmando arte, memória e compromisso ambiental
🛤️ Chuvas provocam interdição preventiva de ponte na PE‑089; DER‑PE orienta rotas alternativas
domingo, 28 de junho de 2026
🥮 Manuê Confeitaria: União e sabor para vencer as dificuldades
🧑🍳 A Manuê Confeitaria enfrenta um momento desafiador em sua estrutura física devido aos impactos severos causados pelas fortes chuvas locais. Problemas decorrentes de infiltrações, como goteiras constantes e o surgimento de mofo nas paredes, têm gerado grande preocupação e elevado o estresse da equipe em relação à manutenção do espaço. Com a proximidade da Fenearte, a pressão para arcar com as contas aumentou significativamente, exigindo uma solução rápida e criativa para garantir a subsistência do negócio.
🍰 Para contornar a crise financeira e arrecadar os fundos necessários para os reparos e custos operacionais, foi lançada uma rifa solidária manual de um bolo de abacaxi com coco. O doce beneficente, que pesa cerca de cinco quilos e leva a assinatura da própria casa, transformou-se em uma grande atração nas redes sociais locais, despertando imenso interesse do público. A recomendação da organização é que os interessados garantam logo seus números para aumentar as chances de ganhar e apoiar a causa.
📱 Apesar dos contratempos na estrutura do estabelecimento, o local segue operando com a ajuda de parcerias estratégicas, a exemplo da Amafil, que viabiliza o abastecimento de farinhas e insumos essenciais. Quem desejar colaborar com a reconstrução do espaço e participar da ação solidária pode escolher seus bilhetes por meio de um grupo exclusivo de mensagens. Cada número custa vinte reais e o sorteio está programado para ocorrer no próximo dia vinte, unindo a comunidade em torno da gastronomia.
📸 Foto: Divulgação
Serviço
Evento: Rifa Solidária da Manuê Confeitaria
Prêmio: Bolo de abacaxi com coco de cinco quilos
Valor do bilhete: Vinte reais por número
Data do sorteio: Dia vinte
Link para participar: https://chat.whatsapp.com/BvEP1tIXHxuLSS5oSg2h09?s=sw&p=i&ilr=1
#SendoProsperidade com Mariângela Borba
Da libido à individuação: caminhos para compreender a nós
mesmos
Por Mariângela Borba
"Do que tanto você tenta fugir quando se distrai?"
A pergunta estava escrita logo nos primeiros degraus da exposição "A
Alma Humana, Você e o Universo de Jung", em cartaz no Instituto Marcos
Hacker de Melo, no Recife. E, como toda boa pergunta, ela não oferecia
respostas. Apenas nos convidava a parar.
Parar para olhar para dentro.
Vivemos em um mundo acelerado, cheio de estímulos e distrações. Corremos de
um compromisso para outro, de uma tela para outra, de uma obrigação para outra,
muitas vezes sem perceber que aquilo de que tentamos fugir continua nos
acompanhando em silêncio.
Nossos medos.
Nossos desejos.
Nossas perdas.
Nossas incompletudes.
Talvez por isso a Psicanálise continue tão atual.
Freud nos ensinou que somos movidos pela libido, a energia do desejo e da
vida. Embora popularmente o termo seja associado apenas à sexualidade, a libido
é muito mais do que isso. Ela está presente em tudo aquilo que fazemos com
paixão, afeto e investimento emocional.
Ela está no trabalho realizado com amor.
Na amizade cultivada com dedicação.
Na escrita que nasce da necessidade de dizer algo ao mundo.
Na vontade de construir um projeto, aprender algo novo ou recomeçar.
Tudo o que nos move é expressão da nossa energia vital.
Mas, se Freud nos mostrou que somos movidos pelo desejo, Jung deu um passo
além e perguntou:
Para onde esse desejo quer nos conduzir?
Para ele, a vida humana é uma jornada de integração. Não somos apenas aquilo
que mostramos ao mundo. Há em nós partes escondidas, esquecidas, negadas ou
reprimidas.
A isso ele chamou de Sombra.
Foi impossível não pensar nisso ao me deparar, na exposição, com um enorme
escaravelho dourado.
Lindo!
Imponente!
Mas, ao mesmo tempo, inquietante.
Fascinante e asqueroso!
Como tantas coisas que habitam dentro de nós e que insistimos em reconhecer
apenas nos outros.
O escaravelho, símbolo de transformação e renascimento, parece nos lembrar
que aquilo que mais nos inquieta pode também ser o que mais precisa ser
integrado.
Quantas vezes criticamos no outro aquilo que, de alguma forma, também habita
em nós?
Quantas vezes combatemos determinadas atitudes porque elas nos confrontam
com aspectos que ainda não conseguimos reconhecer em nossa própria história?
Talvez um dos maiores desafios da vida seja justamente este: olhar para
nossas sombras sem medo.
Reconhecer nossas fragilidades.
Aceitar nossas contradições.
Entender que somos feitos de luz e também de escuridão.
Foi isso que mais me tocou na exposição. A percepção de que a chamada
"vida comum", cheia de tarefas, responsabilidades e desafios
cotidianos, pode ser uma porta de entrada para os mistérios do inconsciente e
para um conhecimento mais profundo de nós mesmos.
Jung chamou esse caminho de individuação.
Não se trata de se tornar perfeito.
Nem de eliminar nossos defeitos.
Mas de nos tornarmos quem realmente somos.
Talvez prosperidade também tenha a ver com isso.
Com a coragem de deixar para trás versões de nós mesmos que já não cabem
mais.
Com a disposição de rever caminhos.
Com a humildade de admitir que ainda estamos em construção.
Porque nem toda história precisa terminar para nos transformar. Algumas
apenas nos atravessam e nos deixam diferentes de quem éramos antes.
E talvez seja justamente aí que o amor encontre seu sentido mais profundo.
Recentemente, o Papa Leão XIV afirmou na Praça São Pedro algo de uma beleza
desarmante:
"O amor também é perda. É difícil compreendê-lo, especialmente em um
mundo no qual perder parece ser uma fraqueza e no qual se vive obcecados por
ter e possuir."
Vivemos em uma sociedade que valoriza o acúmulo: de bens, de títulos, de
certezas, de pessoas.
Mas o amor verdadeiro segue outra lógica.
A lógica do dom.
Do compartilhamento.
Da entrega.
Do espaço que abrimos em nossa vida para acolher o outro.
Perdemos um pouco do nosso tempo para ouvir um amigo.
Perdemos um pouco do nosso conforto para ajudar alguém.
Perdemos um pouco do nosso próprio ego para permitir que o outro exista.
Paradoxalmente, é nessa aparente perda que ganhamos humanidade.
É quando deixamos de possuir que aprendemos a amar.
É quando deixamos de controlar tudo que a vida encontra espaço para
florescer.
Talvez não seja por acaso que, em tempos tão acelerados, a saúde mental
tenha ganhado espaço também nas discussões sobre o trabalho. A recente
atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), ao incluir os riscos
psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais, reconhece algo que a
experiência humana já nos ensinava há muito tempo: não somos máquinas de
produzir. Excesso de cobranças, sobrecarga, conflitos, assédio e a incapacidade
de estabelecer limites também adoecem.
Cuidar da saúde mental é, portanto, mais do que uma necessidade individual.
É um compromisso coletivo e institucional. Talvez prosperidade também seja
isso: criar ambientes em que seja possível trabalhar, produzir e conviver sem
perder de vista aquilo que nos torna humanos.
Curiosamente, o Evangelho já anunciava, há quase dois milênios, algo que
Freud e Jung, cada um a seu modo, também nos ajudaram a compreender: a vida não
se realiza no fechamento, mas na integração.
No encontro.
Na escuta.
Na capacidade de reconhecer nossas sombras e, ainda assim, continuar
caminhando.
Na exposição, havia ainda um espaço para que cada visitante deixasse um
pensamento.
Diante daquela grande teia de palavras e sentimentos, escrevi:
"Tenho medo, do medo que dá."
A frase me veio à mente quase como um sussurro da canção de Lenine.
Talvez porque crescer assuste.
Porque mudar assuste.
Porque amar assuste.
Porque recomeçar assuste.
Porque olhar para dentro também assuste.
Mas, como escreveu Jung:
"Minha vida é a história de um inconsciente que se realizou."
Tudo aquilo que repousa em nós deseja tornar-se acontecimento.
Nossos talentos.
Nossos sonhos.
Nossos afetos.
Nossa vocação.
Talvez a verdadeira prosperidade não esteja em ter mais, mas em nos
tornarmos mais conscientes de quem somos.
Porque, no fim das contas, talvez a vida seja justamente isso: uma sucessão
de nascimentos interiores.
E então, o que, dentro de você, está pedindo para nascer?
Mariângela Borba é jornalista, psicanalista em formação e uma
observadora apaixonada da alma humana.
☕ Quando o Café Vira História: A Reinvenção de Rose Maria no Litoral Sul
☕ A trajetória de Rose Maria (na foto sentada) ganhou novos contornos quando, após mais de três décadas no Jornalismo, ela percebeu que era hora de construir outro território profissional. A decisão não foi abrupta, mas fruto de uma inquietação que cresceu com o tempo. O desejo de criar algo mais autoral e próximo das pessoas se tornou cada vez mais forte. Foi então que o café entrou em cena como extensão natural de sua forma de ver o mundo. Assim nasceu a Dona Café, espaço onde histórias continuam sendo contadas — agora ao redor de uma xícara.
👀 A experiência jornalística de Rose molda profundamente a identidade da cafeteria. A escuta atenta, aprendida nas redações, se transformou em base para o atendimento. Observar gestos, silêncios e ritmos dos clientes virou parte essencial da rotina. Para ela, acolher é mais do que servir bem: é perceber quem chega e respeitar sua história. Cada detalhe — das palavras ao ambiente — nasce dessa sensibilidade. Na Dona Café, o cliente não é apenas consumidor, mas alguém que traz narrativas consigo.
🌊 Empreender no litoral trouxe desafios e aprendizados únicos. São José da Coroa Grande tem um ritmo próprio, marcado por moradores, turistas e viajantes que cruzam a PE-60. A cafeteria precisou nascer com identidade local, adaptada à baixa temporada e aos dias de chuva. Rose descobriu que empreender fora da capital exige paciência, fé e determinação. Ao mesmo tempo, encontrou beleza no vínculo com a comunidade. Conhecer clientes pelo nome e acompanhar suas histórias se tornou parte da essência da casa.
🍰 A curadoria do cardápio da Dona Café segue o princípio de que nada está ali por acaso. O café é 100% arábico, mineiro e escolhido com cuidado para representar a proposta da casa. A gastronomia afetiva é conduzida por Joelma Melo (em pé na foto), sócia de Rose, que cozinha de forma artesanal. Suas receitas carregam memórias familiares, aprendidas com avós e mãe, e influenciadas pelo avô que foi dono do Hotel Central de Toritama. Cada doce, bolo e torta traz afeto como ingrediente principal.
⏰ A nova rotina é diferente do jornalismo, mas igualmente intensa. Se antes a pressão vinha do deadline, agora vem do atendimento rápido e de qualidade. O prazer está em ver clientes voltando, elogiando e escolhendo a Dona Café como ponto de encontro. O desafio maior é a gestão diária: olhar para produto, compra, estoque, atendimento e finanças simultaneamente. Empreender exige equilíbrio constante e disposição para aprender todos os dias.
💬 A Dona Café se tornou, para Rose, uma espécie de “redação afetiva”. Histórias chegam diariamente, vindas de moradores, turistas, amigos e viajantes. Alguns conversam, outros permanecem em silêncio, mas todos compartilham algo. Para ela, isso confirma que comunicação é relação. Em um mundo acelerado, criar um espaço de pausa e acolhimento é também comunicar valores. A cafeteria mostra que as pessoas querem ser vistas, ouvidas e reconhecidas.
✨ Para quem deseja mudar de área, Rose aconselha: não despreze sua história. A comunicação oferece um patrimônio valioso, com habilidades essenciais ao empreendedorismo. Mas é preciso humildade para aprender uma nova operação e disciplina para sustentar uma boa ideia. Fé e coragem também fazem parte do caminho. Para o futuro, a Dona Café quer se consolidar como referência no Litoral Sul, criar produtos próprios e colocar cadeiras na calçada para que os clientes apreciem o pôr do sol. Para trás, nem para pegar impulso.
📸 Fotos: Divulgação Dona Café
SERVIÇO
Dona Café
Endereço: São José da Coroa Grande – PE
Funcionamento: Terça a domingo, das 14h às 21h
Instagram: @cafeteria_dona_cafe
ENTREVISTA — PERGUNTAS E RESPOSTAS
1. Transição de Carreira — Em que momento você percebeu ser hora de deixar o jornalismo diário e apostar no empreendedorismo, e por que o café se tornou o seu novo território de criação?
“A transição não aconteceu de uma hora para outra. Depois de mais de três décadas no jornalismo, passando por redações, televisão, produção, reportagem e assessoria de imprensa, eu comecei a perceber que precisava construir um novo território de atuação, sem romper com tudo aquilo que formou a minha identidade profissional. O jornalismo diário me ensinou disciplina, urgência, escuta e responsabilidade. Mas chegou um momento em que eu quis transformar essa experiência em algo mais autoral, mais próximo das pessoas e ser independente em horário e financeiramente. O café entrou nesse caminho como uma extensão natural da minha forma de ver o mundo. Dona Café nasceu desse desejo de criar um espaço onde as pessoas se sintam bem recebidas, onde cada detalhe comunique cuidado. Para mim, a cafeteria não é uma ruptura com o jornalismo. Antes eu produzia histórias para a televisão e para os jornais. Hoje, eu continuo trabalhando com histórias, mas em torno de uma mesa, de uma xícara e de uma experiência.”
2. Olhar Jornalístico — De que forma sua experiência como jornalista influencia a identidade e o atendimento da Dona Café?
“O jornalismo me deu uma formação muito profunda em escuta. Quem trabalha em redação aprende a observar o que está dito e o que não está dito. Aprende a perceber gestos, contextos, necessidades e silêncios. Isso influencia diretamente a Dona Café. Acredito que atendimento não é apenas servir bem; é perceber quem chega, entender o ritmo da pessoa, acolher sem invadir e oferecer uma experiência que tenha verdade. A forma como recebemos, a escolha das palavras, a atenção aos detalhes, o cuidado com o ambiente, tudo nasce dessa observação. O cliente não é apenas alguém que consome. Ele chega com uma história, com um motivo, com uma expectativa. E a cafeteria precisa estar preparada para respeitar isso.”
3. Empreender no Litoral — Quais foram os principais desafios e aprendizados ao abrir uma cafeteria em São José da Coroa Grande?
“Empreender no litoral exige uma compreensão muito própria do território. São José da Coroa Grande tem um ritmo diferente da capital, uma relação muito forte com moradores, turistas, viajantes e pessoas que passam pela PE-60 em direção a outros destinos. O desafio é entender essa dinâmica sem tentar impor um modelo pronto de cafeteria. A Dona Café precisou nascer com identidade local, mas se adequando à realidade de São José da Coroa Grande, sobretudo nesse período de baixa temporada, marcada por muita chuva. O maior aprendizado foi compreender que empreender fora da capital exige paciência, fé em Deus e determinação. Ao mesmo tempo, há uma beleza enorme nisso. Você conhece os clientes pelo nome, acompanha histórias, percebe retornos, cria vínculos.”
4. Curadoria do Cardápio — Como você escolhe os grãos, os pratos e os detalhes que compõem a experiência da Dona Café?
“A curadoria da Dona Café parte de uma ideia simples: nada deve estar ali por acaso. O café, os doces, os salgados, as tortas artesanais, a apresentação dos produtos e até a forma de servir precisam conversar com a proposta da casa. O café não é de cápsulas. É 100% arábico, mineiro e de um sabor incrível. A Dona Café trabalha com uma gastronomia afetiva. Joelma Melo – minha sócia – é quem responde pela cozinha. Ela faz tudo de forma bem artesanal. Aprendeu a cozinhar com os avós e mãe dela. O avô dela era dono do Hotel Central de Toritama. Tudo que ela aprendeu na família é utilizado na hora de fazer os doces, bolos, tortas e salgados.”
5. Nova Rotina — O que tem sido mais prazeroso e o que ainda te desafia nesse novo cotidiano? “O ritmo é completamente diferente, mas a intensidade continua. No jornalismo diário, convivemos com deadline, a pressão vem do fechamento, da pauta, dos factuais que não esperam e acontecem a todo instante. Na cafeteria, a pressão é um atendimento rápido, eficiente, com qualidade. Quando alguém volta, elogia, indica ou escolhe a Dona Café como ponto de encontro, eu entendo que a marca começou a criar vínculo. O que ainda desafia é a gestão do cotidiano. Empreender exige olhar para tudo ao mesmo tempo: produto, compra, estoque, atendimento e principalmente finanças.”
6. Relação com o Público — A Dona Café se tornou um novo espaço de histórias? “Sim, completamente. Hoje, nossos clientes chegam a cada dia com novas conversas, histórias, às vezes ficam em silêncio, outras vezes interagem com a gente. São visitas de amigos, moradores, turistas e pessoas que entram apenas para tomar um café e acabam compartilhando um pedaço da vida. Isso é muito bonito porque confirma algo em que sempre acreditei: comunicação é relação. A cafeteria me mostra, todos os dias, que as pessoas querem ser bem tratadas, ouvidas e reconhecidas. Em um mundo tão acelerado, criar um lugar onde alguém possa fazer uma pausa e se sentir acolhido é também uma forma de comunicar valores.”
7. Conselhos e Futuro — Que conselho você daria a outros profissionais da comunicação que desejam mudar de área, e quais são os próximos passos da Dona Café?
“O conselho que eu daria é: não despreze a sua história. Muitas pessoas consideram que mudar de área significa começar do zero, mas não é verdade. A experiência acumulada na comunicação é um patrimônio enorme. Quem vem do jornalismo sabe ouvir, apurar, organizar informações, lidar com crise, entender público e trabalhar sob pressão. Tudo isso é extremamente valioso no empreendedorismo. Mas também é preciso ter humildade para aprender uma nova operação. Empreender exige planejamento, coragem, disciplina e disposição para fazer o que precisa ser feito. Não basta ter uma boa ideia. É preciso sustentar essa ideia com gestão, presença e coerência. Mas, acima de tudo, quem me conhece sabe que é preciso ter muita fé e apostar no futuro. Eu jamais desistiria do meu sonho de ter uma cafeteria simplesmente porque todo mundo tem café em casa. Para os próximos anos, a Dona Café quer se consolidar como uma marca de referência em São José da Coroa Grande e cidades vizinhas do Litoral Sul do Estado. O objetivo é cuidar da marca, criar produtos próprios, colocar cadeiras na calçada para os clientes verem o pôr do sol e seguir em frente. Para trás, nem para pegar impulso.”
🚨 Força-tarefa estadual atua em municípios atingidos pelas chuvas
🪗 Forró que pulsa no coração do Recife Antigo 🎶
🪗 Alto do Moura vibra tradição e emoção no encerramento do São João de Caruaru 2026
📰 A despedida de um mestre da palavra: Alexei Bueno (1963-2026)
🌟 Alexei Bueno, poeta, ensaísta e tradutor nascido no Rio de Janeiro em 1963, consolidou-se como uma das vozes mais eruditas e rigorosas da literatura brasileira contemporânea. Sua obra, marcada pelo diálogo profundo com a tradição clássica, atravessa décadas de dedicação à forma poética e ao estudo minucioso da língua. Autor de livros como As escadas da torre, A via estreita e Cerração, ele manteve uma produção constante até seus últimos anos, sempre fiel à precisão estética que o consagrou.
📚 Além de poeta, Bueno foi um editor incansável, responsável por organizar edições críticas monumentais para a Nova Aguilar, incluindo autores como Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa, Olavo Bilac e Vinicius de Moraes. Seu trabalho editorial ajudou a preservar e renovar o acesso a pilares da literatura brasileira, tornando-o referência entre estudiosos e leitores. Também traduziu nomes como Edgar Allan Poe, Mallarmé e Leopardi, enfrentando com maestria desafios formais que poucos se arriscariam a encarar.
🏛️ Na vida pública, Bueno atuou como diretor do INEPAC entre 1999 e 2002, contribuindo para a preservação do patrimônio cultural do Rio de Janeiro. Sua presença era constante em debates literários, conferências e projetos culturais, sempre defendendo a importância da memória e da tradição. Recebeu prêmios como o APCA, o Jabuti e o Alphonsus de Guimaraens, reconhecimentos que reforçam sua relevância no cenário nacional.
🕯️ Alexei Bueno morreu em 26 de junho de 2026, aos 63 anos, vítima de câncer no fígado, deixando um legado que permanece vivo na poesia brasileira. Sua partida foi amplamente lamentada por instituições culturais, escritores e leitores, que reconheceram nele um guardião da palavra e um artesão da forma. Sua obra, vasta e rigorosa, segue como testemunho de uma vida dedicada à literatura em sua expressão mais elevada.
📸 Foto: Reprodução









