domingo, 5 de julho de 2026
#SendoProsperidade com Mariângela Borba
#VcNoBlog Ana Karla Cantarelli
🎬 Um novo brilho no São Luiz: memória, imersão e futuro do audiovisual pernambucano
sábado, 4 de julho de 2026
📣 Ginga que vira jogo: Brahma e Olodum transformam “remada viking” em chamado à torcida brasileira
🎭 A Espiral, o Palco e a Porrada: Marco Polo revisita a Ave Sangria, a censura e a liberdade 50 anos depois
6. De que forma sua atuação como editor de suplementos culturais influenciou gerações de jornalistas e escritores em Pernambuco?
Olhe, eu tenho gerações e gerações de jornalistas que trabalharam comigo e que são muito gratos a mim, por acharem que eu fui generoso, fui um bom, um bom, não digo mestre, mas um bom indicador de caminhos que eles poderiam seguir. Então, isso pra mim é algo que me gratifica muito. É uma questão meio secreta, porque pouca gente sabe. É, eles que chegam pra mim e dizem: 'ô Marco, devo a você muito'. E isso é muito bom. Mas, é, de forma assim, programática, eu jamais tentei influenciar, é, gerações pra seguir um determinado curso ou não. Eu sempre achei que o importante era você ter curiosidade pelo novo, ter a mente aberta e ter a capacidade de assimilar e de criar. Isso que é importante.
7. Quais temas recorrentes atravessam a poesia e a prosa de Marco Polo, e como eles se relacionam com sua trajetória musical e com a contracultura pernambucana?
Olhe, na poesia e na prosa, temas recorrentes pra mim sempre foi amor, sexo, a arte, particularmente a poesia, embora eu sempre fui também apaixonado pelas artes plásticas e pelo cinema. E tudo isso aparece no meu trabalho, tanto em poesia como tangencialmente ou de uma forma, é, especular nas letras das músicas. Então, todas essas coisas que dizem respeito à cultura, à questões sociais, à questão da liberdade, da alegria, da necessidade de liberdade e da alegria que a gente tem, tudo isso permeou toda a minha poesia e toda a minha letra de música.
8. Como a experiência da censura e do silenciamento aparece simbolicamente em sua obra literária, especialmente nos livros publicados após os anos 1990?
A censura e o silenciamento não aparecem na minha obra, porque considero isso são tropeços da continuidade de uma trajetória. Isso aí nunca me perturbou a ponto de mudar minha maneira de olhar a vida, de mudar, de olhar a arte, de olhar minha relação com a sociedade, com as pessoas e comigo mesmo. Então, eu sempre fiz o que eu tinha que fazer, o que era necessário, que vinha de dentro de mim como uma coisa necessária pra ser feita. Eu acho que a gente faz o que é preciso fazer e não para de fazer porque tem um tropeço na frente. Isso é besteira. Vamos em frente sempre.
9. Que mecanismos da censura da ditadura explicam por que “Seu Valdir” foi considerada uma ameaça moral e política, revelando a homofobia institucional do regime?
Essa questão com o seu Valdir, que, na verdade, é uma música bem-humorada, é uma brincadeira, na verdade, não é uma coisa para ser tomada tão a sério como eles tomaram. Isso é uma questão deles, cara. Eles têm essa cabeça doentia. Eles veem doença em todo canto, eles veem maldade em todo canto. Então, isso é um problema muito mais deles do que meu. Sempre foi. Então, nunca considerei isso uma questão pessoal importante para mim. Claro que eu fiquei chateado, claro que foi muito ruim, claro que foi péssimo para a banda toda essa experiência de quebrar a carreira no início da decolagem. Mas, porra, fazer o quê? A gente está diante de uma ditadura, cara. Diante da ditadura é isso. Você dá de cara com uma parede. Uma parede de imbecilidade e de prepotência. Fazer o quê? Não dá para gritar, não dá para esbravejar, não dá para dinamitar. Mas, cedo ou mais tarde, a gente dá a volta por cima e dá a nossa resposta. E é isso que a gente vem fazendo.
10. Como o pedido oficial de desculpas do Estado brasileiro reconfigura a memória da Ave Sangria e reposiciona a banda no cânone da música brasileira contemporânea?
É, o pedido de desculpa foi uma espécie de sacralização, né, do erro que eles cometeram, que o Estado cometeu contra a gente. Eu senti um certo alívio, porque, porra, até que enfim, né, vocês reconhecem que fizeram uma grande merda. E finalmente, hoje, agora, estamos felizes por… Nunca paramos de trabalhar, nunca paramos de fazer o nosso trabalho, nunca paramos de sentir nossa alegria pela nossa liberdade, pela nossa potencialidade de criar, que é o mais importante do que tudo. Então, muito bem, que seja bem-vinda essa anistia. É muito bem-vinda e vamos celebrar. Daqui a pouco eu vou tomar uma taça de champanhe. Espero que cê teja uma taça de champanhe aí pra brindar comigo. Um beijo, tchau!
A seguir, a polêmica música Seu Valdir, criada para ser uma greia, uma zuera, acabou passando por uma censura de - pasmem - mais de 50 anos.


